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drmarcelo
Responsável: Marccelo Pereyra

Quem acelera o tempo que passa, descontrolado feito um cavalo selvagem, galopeando pelo campo aberto da vida que se esvai?

Quem sopra o vento que embaraça os cabelos longos e sussurra sons incompreensíveis, aos ouvidos surdos dos desatentos?

Quem confunde as ideias soltas que balançam nas cabeças ocas das pessoas normais?

Quem desorienta os loucos, as crianças órfãs de amor, os suicidas apaixonados pela morte, o sorriso triste do humano, com fome de ser?

Nos tempos da pressa, ninguém responde.

Quem atropela o passo, jogando ao chão a vida que se fazia de pé?

Quem apaga o sinal vermelho, em nome do verde, cobrindo o asfalto de crimes sem culpados?

Quem chora o choro da lágrima sentida, que escorre para o fundo do poço dos desalmados de justiça?

Quem consola as perdas das vidas interrompidas pela velocidade dos animais sem asas, sem pena dos outros e sem penas para cumprir?

Nos tempos da pressa, ninguém responde.

Na pressa dos tempos, todo mundo se esconde. 

Senhor, escutai a nossa pressa!

MINHA PARCELA DE CULPA

Fico aqui pensando, a respeito dessa nova medida de acerto de contas, dos infratores no trânsito.

Entendo que estamos passando por dificuldades econômicas, causadas, mais uma vez e sempre, pela incompetência daqueles que usurpam nossas riquezas para seus interesses pessoais, mas ainda não compreendi muito bem, essa medida de parcelamento de infrações no trânsito.

De um lado, ela aparenta ser conivente com esse quadro de dificuldades, ajustando as despesas que o cidadão brasileiro acarreta, pela desigualdade da distribuição de renda a que está submetido, ad eternum.

Afinal, as arrecadações do governo precisam ser mantidas num patamar de segurança, que permita administrar e cumprir os compromissos públicos, não é mesmo?

As punições administrativas no trânsito, portanto, passam a partir de agora, a serem negociadas. Não me lembro, na minha carreira de estudante, de ter sido contemplado com notas parceladas, quando deixei de estudar o suficiente para manter minhas médias nas disciplinas e, nem quando fui reprovado. Ou alcançava o bom desempenho, ou repetia o ano.

Os infratores, ganham uma flexibilidade de punição que me deixa preocupado com a influência que isso poderá causar, na conduta de seu papel de motorista e, na compreensão do seu delito.

Quando era estudante, sabia que tinha que estudar para tirar boas notas.

Agora que sou motorista, sei que não preciso me preocupar com isso.